quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Tarde de uma quarta feira cinzenta, de pensamentos escuros, vida tardia. A menos. Dizia a cançãoLet it be” e eu ouvia como um mantra. Deixa estar menina, deixa estar. Habitei alguns lugares desconhecido algumas vezes, me perdi, me achei, tornei a perde, to a espera. Caminhei hoje por ruas estranhas, senhores sorriam para mim, sorriam dizendo bom dia, e eu não queria entender o que há de bom. De baixo de uma arvore seca, sem fruto, me sentei, deixei meu corpo ali enquanto meu pensamento ia voar por outros cantos. Lembrei de uma menina que conheci há uns dez anos atrás, lembrei de seu sorriso sincero, de sua simplicidade, da forma alegre que levava sua vida mesmo em meio a tempestades, lembrei de sua voz doce da falta de vergonha que tinha, de como ela deixava exposta sua opinião, do seu olhar encantador, da forte marca que deixava por onde passava, lembrei que ela sempre me dizia, olhava no espelho e repetia, “que haja alegria, que seja leve, que haja sorrisos, que tenhas amor, que saiba fazer sua sorte, que lhe ame antes de tudo, eu sempre vou estar com você menina boba”, ela sorria muito enquanto me dizia essas coisas, sorria e sempre corria pro quintal dos fundos, gostava de dançar em meio ao vento junto das folhas. Por onde anda essa menina meu deus? Por que fui me perde dela? Por que fui me perde de mim? Deixa estar menina. Lembrei de um tempo em que sorriso era coisa fácil. Decidi, vou à busca da menina, lhe pedir que me repita suas palavras, te deixo dançar com as folhas, livre no vento, no meio do parque, sento no banco e vejo, sem mais. Vou a sua procura. A minha procura. A procura de nós. Sentia, eu sabia, haverá vida, haverá magia, haverá alegria, haverá algo novo, basta nós encontramos menina. Parte de dentro, de um lado claro, sem porta de entrada, só uma brecha, só uma saída. Vem me buscar, me salvar desse lado escuro, aqui tenho monstros como vizinhos, monstros que crie em dias de chuvas. Deixa estar menina, deixa estar. Afunda no mar aberto, e vejo coisas sobrevoarem. Tinha pressa, e uma vida menina. Supostamente. Vem vindo pelo caminho de Leste que daqui do Oeste vou indo ao teu encontro, nos cruzaremos ao meio da vida, na hora certa, no momento exato. Tenho pressa de vida, de alegria, mas terei calma ao esperar por você. Sem listinha de fim de ano, só a certeza de que algo vai mudar. Agosto mês tempestivos para muitos. Há de mudar com a chegada da menina. Sem promessa mal cumprida. Ouvia pássaros na janela do quarto, cantavam, sussurravam a sua chegada. “Let it be”. Como dizia mesmo? Eu sempre vou estar com você. Deixa estar acalma o sopro do coração, escuta a canção e deixa passar. 

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