Eu não sabia o quanto eu gostava da chuva, até hoje.
Ela cai tão de leve do céu, molha aos pouco meu rosto
E a brisa que bate me arrepia até a alma, o frio que me,
Causa não é à toa, sentir o frio me da uma sensação boa.
São 6 horas e pouca de um domingo chuvoso e olha meu Deus
Eu ainda sou capaz de sentir, mesmo sendo frio eu sinto algo,
Mesmo sendo a chuva que me lava a alma eu sinto.
O sinal está aberto você pode seguir na vida, mas eu queria mesmo
que ele estivesse fechado, queria continuar ali, parada na chuva sentindo arrepio, sentindo a pressa escorrer pelo meu corpo direto pra vala. Os meus pensamentos estavam tão embaralhados quanto às pessoas que correm da chuva em busca de lugar para se abrigar, e eu continuava na chuva a espera de algo.
Eu sorria enquanto esperava o ônibus de volta pra casa, eu sorria pra chuva e pros tolos que fogem dela, sentir o cansaço escorrer pelas minhas mãos, e saber que não vou mais sangrar, porque a chuva me curava, me curou, me adiantou a vida, a corrida, a subida.
Sentir o vento, respirar fundo empurrando pro estomago todo ódio que eu tinha na garganta, subir os degraus do ônibus desejando continua ali parada, servindo de companhia pra chuva, a esperança agora era a de ir pro ponto final daquele 794, e esperar o resto das dores evaporarem junto das gotas que ainda estavam sobre meu corpo, desci bem antes, mas não faz mal, ali naquele ônibus junto de pessoas estranhas, deixei minhas humildes dores e um resto de chuva, ali junto daquele motorista que agora é encarregado de levar para longe qualquer vestígio de minha dor.
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